sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Orquidea......


Tomado pelo pranto por possear seu jardim,

Eu, uma flor orquídea, não há brilho ou beleza dentro de mim!
Seu jardim virou meu lar.
O seu romance fascinante
Fez minha alma encantar, romancear.
Porém com seu romance o orquidário não brilha.
Seu perfume não nos deixa relacionar.
Multiforme é sua beleza
Não me deixa revelar.
Pobre, meu receptáculo,
Secar-me-ei antes de reciprocar.
Rosicleres sua bela alma
Virtude eximia irá encontrar.
Demaseio lastimável
Por minha fraqueza
Sobre suas pétalas
Minha alma jamais irá rosear.
Comparo-me à uma orquídea,
Para um dia poder sopitar
Perante sua bela alma
Meus sonhos irão sombrear,
O romance solitário, que um dia,
Fez-me fascinar.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Eterno amor por Neruda.....

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Pablo Neruda

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A Serpente que dança.....



Em teu corpo, lânguida amante,
Me apraz contemplar,
Como um tecido vacilante,
A pele a faiscar.

Em tua fluida cabeleira
De ácidos perfumes,
Onde olorosa e aventureira
De azulados gumes,

Como um navio que amanhece
Mal desponta o vento,
Minha alma em sonho se oferece
Rumo ao firmamento

Teus olhos que jamais traduzem
Rancor ou doçura,
São jóias frias onde luzem
O ouro e a gema impura.

Ao ver-te a cadência indolente,
Bela de exaustão,
Dir-se-á que dança uma serpente
No alto de um bastão.

Ébria de preguiça infinita,
A fronte de infanta
Se inclina vagarosa e imita
A de uma elefanta.

E teu corpo pende e se aguça
Como escuna esguia,
Que às praias toca e se debruça
Sobre a espuma fria.

Qual uma inflada vaga oriunda
Dos gelos frementes,
Quando a água em tua boca inunda
A arcada dos dentes

Bebo de um vinho que me infunde
Amargura e calma,
Um líquido céu que se difunde
Astros em minha alma!


Charles Baudelaire

Aprendendo a conviver.....

E se me achar esquisita,
respeite também.
até eu fui obrigada a me respeitar.
Clarice Lispector

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sabedoria Balzaquiana

"O ódio, tal como o amor, alimenta-se com as menores coisas, tudo lhe cai bem. Assim como a pessoa amada não pode fazer nenhum mal, a pessoa odiada não pode fazer nenhum bem."
Honoré de Balzac